ARQUITETURA

BRASÍLIA TESOURO MODERNO

Sobre viver em uma cidade-patrimônio

 

 

30.01.17 - Por Laila Mackenzie
Fotos: Bento Viana


Nesse primeiro post para o Estilozzo vou levar os leitores a um brevíssimo tour histórico-arquitetônico pela Brasília “patrimônio da humanidade”. Sei que muitos vivem nessa cidade única no mundo e não se dão conta de sua originalidade arquitetônica e urbanística. Focamos em problemas que as metrópoles brasileiras apresentam hoje e que devem ser enfrentados com planejamento e boa gestão pública; no entanto, alguns insistem em creditar as mazelas de Brasília ao tal “tombamento”. Será esse mesmo o vilão?

 


Pra quem não sabe, o Plano Piloto de Brasília, área com limites definidos pela DF-001 mais a borda externa do Lago Paranoá foi inscrito na UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade em 1987, devido ao seu conjunto urbano modernista, retrato mais puro da ideologia de melhoramentos urbanos, desenvolvida a partir de cerca de 100 anos antes, na Europa. E sim, esse trecho único de cidade planejada foi feito no Brasil, sob a autoria de Lucio Costa, o ganhador do concurso nacional para o projeto, em 1956.

 


Outros grandes arquitetos fizeram projetos de cidades modernistas, mas apenas o de Lucio Costa foi tão original e ao mesmo tempo traduziu com tanta exatidão as ideias urbanas modernistas. Ou seja, o Plano Piloto de Brasília, que pode ser chamado de “centro urbano” da cidade, apesar da sua juventude, já é um clássico. Por esse fato foi alvo do tombamento e de tanto reconhecimento internacional.

 


Vale lembrar que juntamente com o plano de Lucio Costa, Brasília contou com as obras de Oscar Niemeyer, o inventivo e arrojado arquiteto carioca. Suas obras são admiradas mundo afora pela beleza plástica e pureza estética. Em conjunto com as amplas visuais de Brasília, a arquitetura moderna de Niemeyer ganhou espaço definitivo na história da arquitetura mundial.

 


Some-se a essa arquitetura e urbanismo as belas esculturas de Ceschiatti e Bruno Giorgi, os coloridos vitrais de Mariane Peretti, os inovadores jardins de Burle Marx e os característicos painéis de Athos Bulcão e teremos um panorama estético do movimento moderno muito típico e exclusivo de Brasília. Como pano de fundo desse conjunto, Brasília conta com o seu “skyline” retilíneo de planalto, onde o céu azul frequentemente toca a massa verde e ampla das visuais da cidade jardim, onde se destacam as delicadas árvores retorcidas do cerrado.

 


A terra vermelha surpreende os turistas e ajuda a enfatizar o contraste da paisagem, em alguns pontos meio urbana e meio natureza intocada, onde tucanos, garças e carcarás transitam com tranquilidade. O brasiliense já sabe que esse mix de cerrado com cidade se transforma em cerradão nos arredores e guarda áreas de extrema beleza como as do Parque Nacional de Brasília, e as várias vertentes que formam a bacia do Lago Paranoá e do São Bartolomeu.

 


Não bastassem esses motivos, Brasília ainda é a sede do Governo Federal, das representações diplomáticas e um importante polo gerador de empregos e renda pra todo o Brasil Central. É claro que a nossa jovem cidade, que já é uma metrópole de 2,5 milhões de habitantes, enfrenta grandes desafios. A desigualdade social, a carência de serviços públicos em algumas áreas, o desemprego a expansão desordenada. Mas lembramos o que disse Lucio Costa quando perguntado do porquê Brasília ter tantos problemas se havia sido uma cidade planejada: “Seria um absurdo se pensar que a simples transferência da capital do país para mil metros de altitude e mil e duzentos km da costa implicaria na solução de um problema social secular, de outra natureza. Brasília é um milagre”.

 

 

 

 

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