ENTREVISTAS

Oskar Metsavaht

O fundador da Osklen fala sobre o mercado e exalta os brasilienses



Valter Lourenço e Oskar Mesavaht

 

30.09.16 – Por Valter Lourenço
Fotos: Cristiano Sérgio/Estilozzo


Em um vôo rasante por Brasília para o lançamento do novo espaço “shop in shop” da Osklen na multimarcas Magrella, Oskar Metsavaht falou com exclusividade ao Estilozzo. O fundador da marca carioca, que ganhou o mundo pelo lifestyle cool e descolado, acredita que as mudanças no mercado de moda são positivas, mas que a essência não pode ser perdida e que o brasiliense é um dos mais cosmopolitas do país. Saiba todos os detalhes:


A coleção "Monbupurih" para a primavera-verão 2016/17 acaba de chegar às lojas e multimarcas. Como foi o processo criativo que resultou na coleção?

Foi interessante. Eu não usei referência desta vez em um lugar que eu visitei e sim um que imaginei. Eu sou um contador de histórias que na realidade são meus alter egos. Para desenvolver a coleção eu imaginei um casal que mora num lugar cosmopolita, como Nova York por exemplo, e eles têm uma casinha numa ilha, num determinado lugar do mundo, tanto que Monbupurih é o nome de uma ilha imaginária. Ele é designer, físico e gosta de astronomia e de surfar. Ela é uma bióloga, gosta de dançar, de mergulhar e de cinema. Enquanto ela gosta do fundo do mar, ele gosta do cosmos. Os dois viajam para a ilha, chegam na sua casinha de tardezinha. Ela tem seu jardinzinho e adora cultivar ervas, com as quais ela faz seus chás. Os dois vão para a beira da praia, ele fala do surf e do cosmos; astronomia; e ela fala de mergulho e do fundo do mar e os dois se encontram no encontro do cosmos com o fundo dos oceanos.



Peças-conceito da coleção: roupa de mergulho com pedras e couro do pirarucu


Estamos vivendo um momento novo na moda com a chegada do conceito “see now buy now”. A Osklen vai passar pela primeira experiência neste modelo de apresentação de coleção na próxima estação. Como você vê essa mudança que a moda está passando?
 

Acho que na realidade não é só mudar. Está acontecendo alguma coisa a mais na agenda para a moda, estamos todos ainda meio perdidos em como encontrar essa agenda. O ‘see now buy now’ ajuda numa coisa que as mídias sociais fizeram ao divulgar as imagens de um desfile no exato momento em que acontece. A questão é que aquela coleção seria para a próxima temporada e se as peças chegassem imediatamente às lojas transformariam a coleção que está exposta em antiga. A chegada do ‘see now buy now’ vai favorecer muito a nossa comunicação pois é uma plataforma para o consumidor final e não para os profissionais da moda. Acho que uma forma não substitui a outra. O novo modelo vai incrementar as vendas, fazendo o uso da ferramenta das mídias sociais de uma forma mais eficiente pois será mostrado exatamente aquilo que está nas lojas naquele momento.

 


As peças da coleção "Monbupurih" nas araras da Magrella


E como fica a relação com as mídias especializadas em moda, como veículos, por exemplo?


Eu acho que para a moda continuar sendo o que ela é, a conversa entre os profissionais de moda precisa acontecer. Porque para mim desfile, bem antes de ser uma ação comercial, sempre é um ‘stage’, um palco, onde o criador apresenta sua proposta de estilo para os profissionais da área, ou seja, pessoas que entendem a linguagem da moda, entendem o conceito da moda, entendem essas propostas e vão, a partir disso nos próximos meses, desenvolver nas suas expressões, nos seus editoriais, nos seus textos, aquilo que eles perceberam de proposta de moda de vários criadores juntos ou especificamente de cada marca. Então essa troca, essa conversa, não deve ser perdida e deve sempre existir. Vão continuar tendo os desfiles, ou outras formas de apresentação, fechados para o público geral de moda e o ‘see now buy now” entra como uma ação direta para o consumidor.

 

 

Quem é o consumidor hoje da Osklen? Houve mudança de público nos últimos anos?


Acredito que o consumidor da marca não mudou. O que aconteceu foi que quando houve uma elevação da classe média e essa obteve poder aquisitivo um pouco mais alto, essas pessoas começaram a consumir novos produtos, não só na Osklen mas em todas as marcas. A gente sempre teve um foco na Osklen de se comunicar com pessoas que realmente entendessem o conceito de lifestyle, o conceito de linguagem de moda, de estética e design que a gente propõe a cada vez. Eu sempre mantive o estilo da Osklen, pode ter mudado na melhoria de qualidade e de expressão por amadurecimento da linguagem, mas a proposta sempre foi atingir uma classe sócio cultural, não econômica, mas sócio cultural que compreenda a linguagem que eu proponho através da moda. Claro que a classe econômica é levada em consideração por se tratar de um produto um pouco mais exclusivo e com qualidade. No Brasil a escala é pequena, então é claro que atingimos um público um pouco diferenciado economicamente. Mas eu sempre vislumbrei um determinado grupo que eu admiro o estilo de vida, o nível cultural. São pessoas que compreendem a linguagem estética do design de moda, que gostam de ter um estilo que equilibra vida ao ar livre e a vida urbana, cosmopolita e que entenda também que existe a questão da sustentabilidade. Esse não é um vetor de frente da marca, mas está por trás dela sem precisar ter cara de uma 'green brand'.

 

 

Um vídeo publicado por Estilozzo (@estilozzo) em

 

A Osklen de destaca na venda de Lifestyle, talvez seja a primeira marca que tenha feito isso no Brasil. Foi difícil implantar esse conceito?


Não, porque ela sempre foi a expressão de onde eu vivia, do que eu vivia e o que eu imaginava. Eu sempre tentei fazer com que a Osklen representasse um estilo de vida de um determinado grupo de brasileiros, talvez mais cosmopolitas, no qual eu me incluo. Sempre busquei uma visão mais universal para construir uma marca que represente uma expressão da sofisticação de um estilo de vida brasileiro. O nosso estilo é ligado a questão da simplicidade ser o luxo, o “relax” que é o luxo, na realidade uma expressão do novo luxo. Eu sempre achei simples trabalhar dessa forma, a dificuldade foi ali no início dos anos 2000 quando eu pensei como expressar esse conceito de lifestyle em uma linguagem estética, em uma linguagem de design de moda. Como transformar alguns elementos conceituais de estilo de vida em formas, em cores em silhuetas, em moods. Hoje ao ver uma peça você não precisa ver escrito “Osklen” para saber que é da marca. Você reconhece pela essência das cores, das formas, das texturas e do mood que a gente coloca. Esse foi o trabalho dos últimos 15 anos para atingir o que a Osklen é hoje.

 


Oskar com os empresários Juana e Fabrício Ferreira da Magrella


Você conhece o consumidor de Brasília? A marca é bem consumida aqui na cidade.


Sim. O brasiliense é mais cosmopolita, ele está no centro do país, ele precisa viajar e viaja de uma forma diferente. Tanto o pessoal de Brasília quanto o de Belo Horizonte são pessoas que conhecem muito mais o Brasil do que nós do Rio de Janeiro ou os Paulistas. E conhecem também muito mais o mundo. São viajantes. Existe uma sofisticação no brasiliense que eu acho que vem dele ser mais universal, mais cidadão do mundo do que em algumas cidades brasileiras.

 

 

 

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