ENTREVISTAS

FAVAS CONTADAS PARA O SUCESSO

O luso-brasileiro Rui Vilhena estreia hoje novela na Globo                     

 

 

Por Patrick Selvatti
Fotos: Sabrina Hanzmann

 

Brasil e Portugal estão iniciando um intercâmbio interessante na teledramaturgia. O autor de novelas Rui Vilhena, considerado um dos maiores novelistas do além-mar, vai estrear no horário das 18h da Rede Globo com a novela "Boogie Oogie". E não estamos falando de um mero roteirista, não. O cara foi responsável por grande parte dos maiores sucessos de audiência da tevê lusitana, chegando a parar o país no último capítulo de sua trama em situações vistas raramente por aqui nos últimos tempos – antes do fenômeno “Avenida Brasil”, o feito havia ocorrido quase vinte anos atrás, em 1995, com a revelação do assassino de “A próxima vítima”. O que pouca gente sabe, na verdade, é que Rui não é nenhum estrangeiro por aqui. Afinal, embora tenha nascido em Moçambique, o escritor foi criado no Rio de Janeiro. “Lá em Portugal, eu era tratado como brasileiro e, aqui, fui recebido como um português”, ele se diverte, prestes a estrear seu primeiro trabalho solo no Brasil.

 


Rui recebeu o jornalista Patrick Selvatti no hotel em que está temporariamente instalado no Leblon, já que seu CEP oficial ainda é o de Portugal, onde vive sua esposa, Denise.  A chegada do dramaturgo de 52 anos na Globo ocorreu em um momento em que a emissora buscava novos profissionais da escrita folhetinesca e sua experiência foi providencial. Até porque Vilhena foi o autor de um grande feito: em Portugal, suas novelas eram as únicas que tiravam a audiência das produções globais exibidas por lá. “Sempre teve um abismo muito grande entre as novelas daqui e as de lá e isso fazia com que as brasileiras fossem mais assistidas. Eu criei essa ponte”, conta o pai de grandes sucessos como "Terra Mãe" (1998), "Ninguém como Tu" (2005), "Tempo de Viver" (2006), "Vila Faia" (2007), "Olhos nos Olhos" (2008) e "Sedução" (2010).


Contratado pela emissora carioca há três anos, Rui já tem um trabalho assinado com o consagrado Aguinaldo Silva: na novela “Fina Estampa”, eram dele a maioria dos diálogos que aconteciam na mansão da vilã Tereza Cristina (Christiane Torloni), onde quem reinava mesmo era o divertido e afetadíssimo mordomo Crô (Marcelo Serrado) - que, de tão bem–sucedido, gerou um spin off, ou seja, saiu da trama e agora virou protagonista de filme. “A indústria televisiva portuguesa não tem o poder financeiro da brasileira, mas eu sempre ousei, como quando, por exemplo, escrevi um desastre aéreo e um ciclone. Vir para o Projac hoje é um reconhecimento do que construí lá fora. E agora vou poder explorar ainda mais minha criatividade”, ele se empolga.

 

 

Sobre a novela que assina sozinho no Brasil, Rui conta que será um grande dramalhão, apesar das limitações do horário das seis da tarde. A trama narra a trajetória de Sandra (Isis Valverde) e Vitória (Bianca Bin), duas jovens de personalidades completamente opostas que descobrem que suas histórias de vida, na verdade, fazem parte de uma vingança – e que o sangue que corre em suas veias não é o mesmo que o dos supostos pais. O ponto de partida da trama é um acidente aéreo. A caminho da igreja, no dia de seu casamento com Sandra, Alex (Fernando Belo) presencia a queda do avião pilotado por Rafael (Marco Pigossi) – que acabou de ficar noivo de Vitória – e, durante a tragédia, acaba perdendo a própria vida para salvar o desconhecido piloto. As jovens se conhecem nesse acidente e passam a se odiar, tudo porque Rafael se encanta pela simplicidade de Sandra e fica em dúvida se deve ou não se casar com a atual namorada. E essa rivalidade vai se aumentar quando Susana (Alessandra Negrini), a responsável pela troca dos bebês, volta dos Estados Unidos decidida a revelar toda a verdade. Seu plano de vingança era pra atingir Fernando (Marco Ricca), que lhe abandonou para ficar com a esposa, Carlota (Giulia Gam); e que vive ainda um caso com a secretária Gilda (Letícia Spiller).

 

"Boogie Oogie" conta uma história de encontros e desencontros durante os anos 70, um período de efervescência e alegria, embalado pelo ritmo da disco music. Lá fora, as tramas de Vilhena já foram comparadas às do Gilberto Braga por elementos como a presença de um forte "quem matou?" e pela maneira como eles costuram as tramas, prendendo a atenção do público. Perguntado se trazer à tona os anos 70 tem alguma relação afetiva com "Dancin Days", um dos maiores sucessos do seu colega, Rui frisa que a coincidência é mais afetiva. "A história se passa em 1978. Eu tinha 17 anos. Vivi intensamente aquele ambiente de festa, liberdade, alegria, que tomava conta do Rio de Janeiro. Tenho ótimas lembranças desse período. Acho que veio daí a vontade de ambientar a novela na Era Disco e marcar meu retorno ao país", conta ele.  Sem falar que a década foi um período que até hoje influencia artistas das mais diversas áreas...", ele complementa.

 

 

Rui Vilhena diz que pretende acompanhar a repercussão da novela nas redes sociais, interagindo com os telespectadores. Ele, que tem conta no Facebook, no Twitter e no Instagram, concorda que "hoje em dia as redes sociais são uma forte ferramenta de divulgação". Por lá, inclusive, o autor já encarou a primeira polêmica antes mesmo da estreia. O estilo da novela, principalmente pela época retratada e as músicas que já entoam nas chamadas, gerou muito comentário em relação à última novela apresentada por Carlos Lombardi na Record, "Pecado Mortal". Rui comenta: "Não me incomoda, até mesmo porque nunca entendi. Tirando o fato de ambas as novelas serem nos anos 70, não vejo mais nenhuma semelhança. E ser comparado com um autor tão talentoso como o Lombardi é um elogio".

 

A famosa discoteca Boogie Oogie, administrada por Amaury (Junno Andrade), é um dos cenários da trama, onde todos se encontram para curtir e se divertir. Por lá poderão ser vistos personagens como Madalena (Betty Faria), uma matriarca animada e divertida; a aeromoça Inês (Deborah Secco) e seu pai Vicente (Francisco Cuoco); e Daniele (Alice Wegmann), uma jovem à frente de seu tempo que será perseguida por Carlota. "Temos uma galeria de personagens bem marcantes. Das Super Malévolas as mais irreverentes, há um pouco de tudo. É difícil escolher uma que vai sobressair", ele comenta. E o que o público pode esperar da novela? "A chamada diz tudo: prepare a sua sala. A festa vai começar", garante Vilhena.

 

 

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